Tenho menos de 18 anos e quero me preparar! O que fazer?

E aí time, tudo tranquilo?

Há alguns dias fui surpreendido por uma pergunta de um seguidor, que por ser menor de idade, tem dificuldades de encontrar locais e oportunidades pra treinar técnicas de sobrevivência e ter contato com a natureza propriamente dita. Isso, de início me gerou uma certa dúvida em relação à resposta, e vou contar-lhes porque, levantando alguns aspectos sociais e familiares atuais.

crianças na natureza

Um dos primeiros pensamentos que tive foi sobre “como ele já quer treinar técnicas de sobrevivência?”, pois é possível que ele nunca tenha tido um contato com a natureza pura, intocada… isso porque penso em como nós, multiplicadores do debate em sobrevivência, estamos resumindo o contado com a natureza ao embate com esta! Alguns de nós esquecem que atividades como acampamento (camping), trilhas (trekking), caminhadas (hiking) e escaladas (climbing), são bem anteriores e mais difundidas que a própria ideia de sobrevivencialismo, que consiste em todas as capacidades, técnicas e equipamentos voltados pra manutenção da vida em condições extremas.

trekking

Outra questão relativa a isto é que muitos dos contatos que nós tivemos com a natureza, quando mais jovens e bem menos experientes, foi algo impulsionado por características familiares (pais que acampavam, avós que moravam no interior, primos que curtiam explorar locais desconhecidos, etc).

Infelizmente, aqui no Brasil não possuímos (eu desconheço, admito) espaços voltados ao camping infantil ou juvenil, como é comum em países como Estados Unidos e Canadá. Tais locais são ótimas oportunidades para que as crianças e adolescentes, ao menos nas férias escolares, possam ter contato com a natureza e com atividades que normalmente elas não fariam em suas residências. Aqui é bem mais comum as colônias de férias, que colocam as crianças em atividades bem menos interessantes, como banhos de piscina ou pintura a guache…

Hoje, parte destas relações familiares tem desaparecido, muitos avós não moram mais no interior, muitos pais e mães não acampam mais, muitos primos não têm a mesma curiosidade de 15 anos atrás pela natureza… isso acaba gerando uma série de dúvidas nesta galera que curtiu a ideia propagada por de programas de sobrevivência mas não sabe por onde começar.

acampamento de férias

Logo, me veio uma segunda dúvida: “como respondê-lo sem que ele perca o interesse na temática?”. Pensei nisto pois há uma concepção difundida (pelos professores e instrutores de sobrevivência por aí e semelhantes) de que a sobrevivência é algo inerentemente feito na natureza, e talvez algumas informações faltem a uma série de garotos e garotas que querem ir preparados pra natureza, mas não sabem especificamente como, e acabam assistindo alguns embustes no YT, etc!

kid survival

Como um interessado pela propagação do assunto, mas também responsável, joguei a seguinte real pra ele: “cara, eu não vou te aconselhar a fazer algo que irá colocar sua vida em risco, mas se eu puder lhe dar uma dica inicial sobre o assunto, eu digo, procure um grupo escoteiro”.

E porque desta resposta? Simplesmente porque num ambiente como do escotista, ele poderá descobrir, junto a pessoas responsáveis e que possuem conhecimento na área, o contato com a natureza, no que ela pode ser útil, onde ela pode ser perigosa e, principalmente, quais as possibilidades que ela fornece aos interessados e interessadas em atividades ao ar livre!

escotismo

Por exemplo: eu fui escoteiro durante 5 a 6 anos, e foi lá que eu descobri de fato que acampar não era minha praia! Tinham muitos que adoravam, mas eu sempre ficava puto depois de 2 dias com aqueles mosquitos miseráveis, areia no colchão, chulé na barraca, etc! Tbm foi durante o escotismo que eu comecei a gostar de acender fogueiras, assar alimentos na brasa e fazer comidas mateiras (ovo na laranja, batata no buraco, etc), ou mesmo a gostar de rapel!

barraca-montada-errada

A partir de uma dessas experiências controladas, um garoto ou uma garota podem se tornar um Ray Mears ou uma Juliane Koepcke (única sobrevivente da queda do 508 LANSA), assim como podem se transformar em amantes do rapel, de escaladas, de vôo livre, ou mesmo de explorações em grutas, etc.

508 lansa

ray mears

Deixo o debate aberto para que os amig@s contribuam com suas experiências e opiniões!

Vamos pra natureza!

Artigo originalmente publicado pelo Blog WildLife Ceará.
http://wildlifeceara.blogspot.com.br/

Colaborador The Geographer (WildLife Ceará)

WildLife Ceará Escreveu 25 post para esse blog.

Um professor de Geografia, ex-escoteiro, sobrevivente urbano e litorâneo, explorador da natureza, recém iniciado no bushcraft e não muito fã de acampamentos. Curto trekking, rapel, caiaque, pesca e caminhadas na natureza. Uma fogueira com alimento em cima levanta qualquer ânimo. Como digo na WildLife Ceará, vamos pra natureza!

Visite a Loja do Sobrevivencialismo


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